Como Fazer uma Casa
Placas com restos de peças de cerâmica
Galeria da Cemig - Belo Horizonte - Minas Gerais
Dimensões: 1200x220x40 cm

O cubo de madeira, esculpido, carcomido, erodido, sugerindo geometria de uma escada irregular arcaica, que leva o espectador ao espaço imaginário de algum compartimento secreto e invisível, estava na sala de jantar. Trazido pelas correntes marítimas, vento, água e sal, pelas marés e ondas, na aspereza de alguma praia da Turquia. Adel estava avançando a criação de pequenas construções que revelam abertamente os interiores, anteriormente pouco revelados através de pequenas portas como estalactites e estalagmites em compartimentos ocultos de uma gruta. Formas interiores precisas, diretas, verdadeiras e necessárias para um abrigo, uma casa como poço para água, escada para passagem de níveis e outras 50 e tantas construções. A escada criada, modelada e petrificada pôr Adel e o cubo de madeira ao léu, achado pôr uma amiga, são mais íntimos do que duas gêmeas idênticas, pertencem ao mesmo destino irreversível. Escada, criação poética; cubo de madeira, história aleatória. Origens diferentes para um único fim. O projeto “Como fazer uma casa” responde incorporando estímulos diversos, inclusive acontecimentos inexplicáveis, mas marcantes como o achado enigmático do cubo, que recria o tempo, não valorizando o que vem antes, o que depois. Adel se movimenta num misto de transe e lucidez durante a trajetória do seu processo. Sentimentos, intuição, razão, instinto. Palavras, frases, pensamentos, sensações, estímulos diversos, memórias, imêmores circulam aparentemente desconexos, fertilizando cada etapa. água? Poço . Escada, escova, pedaço de pano, cobertores para dobrar, caixas com tampa, cruz, florais, pastéis para fritar, perdas, enganos, o que preciso para seguir minha vida?, metáforas, ambigüidades, abre e vai direto, quero ver mostrar o que há dentro, escancarar o interior, em branca memória paradoxal, qual a cápsula em que vou viver, neste inferno , idéia de Deus, homem barbudo, no andar de cima, feitor, juiz, paredes, pedras, barro, terra, abandono, morte, escórias, gretas, reentrâncias, rachaduras, destroços, avidez da vida... Escrita automática, inventário em busca do imprescindível. O que tem sentido no abrigo. Verdade. Conteúdos desnecessários, ultrapassados, não mais precisos vão sendo desarmados, eliminados ou incorporados no muro da instalação. Permanece o preciso, necessário, verdadeiro. Nisto é radical. O muro vertical e os objetos que revelam o interior, dispostos na horizontal, exatos no espaço-tempo da instalação, sugerem também o infinito. Nada aceita a condição de contido. O que perde, o que ganha. Como a morte. Como a vida. Tudo se transfigura na poíesis de Adel. O caos se ordena em conhecimento universal, que nos torna iguais. Você já ouviu Adel? Viu seus cadernos? Como fazer uma casa, como construir a vida que contém a morte?

Megumi Yuasa, Início de inverno, 07/03

Como Fazer uma Casa
Placas com restos de peças de cerâmica
Galeria da Cemig - Belo Horizonte - Minas Gerais
Dimensões: 1200x220x40 cm

O cubo de madeira, esculpido, carcomido, erodido, sugerindo geometria de uma escada irregular arcaica, que leva o espectador ao espaço imaginário de algum compartimento secreto e invisível, estava na sala de jantar. Trazido pelas correntes marítimas, vento, água e sal, pelas marés e ondas, na aspereza de alguma praia da Turquia. Adel estava avançando a criação de pequenas construções que revelam abertamente os interiores, anteriormente pouco revelados através de pequenas portas como estalactites e estalagmites em compartimentos ocultos de uma gruta. Formas interiores precisas, diretas, verdadeiras e necessárias para um abrigo, uma casa como poço para água, escada para passagem de níveis e outras 50 e tantas construções. A escada criada, modelada e petrificada pôr Adel e o cubo de madeira ao léu, achado pôr uma amiga, são mais íntimos do que duas gêmeas idênticas, pertencem ao mesmo destino irreversível. Escada, criação poética; cubo de madeira, história aleatória. Origens diferentes para um único fim. O projeto “Como fazer uma casa” responde incorporando estímulos diversos, inclusive acontecimentos inexplicáveis, mas marcantes como o achado enigmático do cubo, que recria o tempo, não valorizando o que vem antes, o que depois. Adel se movimenta num misto de transe e lucidez durante a trajetória do seu processo. Sentimentos, intuição, razão, instinto. Palavras, frases, pensamentos, sensações, estímulos diversos, memórias, imêmores circulam aparentemente desconexos, fertilizando cada etapa. água? Poço . Escada, escova, pedaço de pano, cobertores para dobrar, caixas com tampa, cruz, florais, pastéis para fritar, perdas, enganos, o que preciso para seguir minha vida?, metáforas, ambigüidades, abre e vai direto, quero ver mostrar o que há dentro, escancarar o interior, em branca memória paradoxal, qual a cápsula em que vou viver, neste inferno , idéia de Deus, homem barbudo, no andar de cima, feitor, juiz, paredes, pedras, barro, terra, abandono, morte, escórias, gretas, reentrâncias, rachaduras, destroços, avidez da vida... Escrita automática, inventário em busca do imprescindível. O que tem sentido no abrigo. Verdade. Conteúdos desnecessários, ultrapassados, não mais precisos vão sendo desarmados, eliminados ou incorporados no muro da instalação. Permanece o preciso, necessário, verdadeiro. Nisto é radical. O muro vertical e os objetos que revelam o interior, dispostos na horizontal, exatos no espaço-tempo da instalação, sugerem também o infinito. Nada aceita a condição de contido. O que perde, o que ganha. Como a morte. Como a vida. Tudo se transfigura na poíesis de Adel. O caos se ordena em conhecimento universal, que nos torna iguais. Você já ouviu Adel? Viu seus cadernos? Como fazer uma casa, como construir a vida que contém a morte?

Megumi Yuasa, Início de inverno, 07/03